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Família, que lugar é esse?

“O Deus de toda a graça [...] os restaurará, os confirmará, os fortalecerá e os porá sobre firmes alicerces”. 1 Pedro 5.10

Os relacionamentos – manifestação divina no humano – são o fundamento básico da vida, afirma o reverendo Nelson Luiz Campos Leite (bispo honorário da Igreja Metodista). De fato, a dimensão relacional do ser humano, potencializada pela sua dimensão cultural, condiciona a espécie humana à total dependência do seu semelhante. Isto significa que ninguém se torna humano senão através do outro; portanto, é na vida em comunidade, no relacionamento interpessoal e na mútua influência entre as pessoas que se aprende a ser humano, que se produz a humanidade.

Humanidade capaz de modificar seu meio, suas condições de vida e a si própria; para a sua promoção ou degradação, a depender de elementos significativos, como circunstâncias, necessidades e interesses individuais e de grupos; sensibilidade, afetividade, confiança em si e nos outros; valores como justiça, paz, alegria; a graça divina, para a fé cristã em especial.

Na rede de relacionamentos humanos há instâncias – dentre as quais, a família – nas quais a influência é (ou deveria ser) pensada e planejada; é o caso das instituições de ensino. E esse processo requer a consciência do caráter humano que se deseja ou que se deve formar e implica em escolhas (por vezes difíceis).

Ao longo da história humana, nas suas diferentes formas de organização, a família prevalece como instância primeira de acolhimento, convivência e formação humana. Pela proximidade dos seus membros, convivência permanente e estabelecimento de sólidos vínculos afetivos, a família pode ser, efetivamente, lugar de exercício da solidariedade, do respeito, da justiça, do amor – lugar de manifestação do Criador –, desde que se queira, isto é, desde que o desempenhar dos diferentes papéis na vida familiar seja norteado por este objetivo.

Ao transcenderem o âmbito familiar, estes valores significam a possibilidade de se estabelecer relações justas e fraternas entre as pessoas e entre estas e os demais seres vivos, na promoção de um mundo que seja, de fato, “casa de todos”, onde a vida seja vivida com dignidade. Isto é mais do que suficiente para que as famílias se disponham a esse trabalho.

Conflitos, erros e acertos se fazem presentes no relacionamento familiar de forma mais ou menos contundente ou desafiadora para diferentes famílias, levando, em muitos casos, a frustrações e a um sentimento de impotência. Principalmente nesses momentos, é importante reconhecer que a família é lugar de exercício, de aprendizado, de aperfeiçoamento humano. Lugar de abrir-se para a manifestação do divino, na certeza de que o Deus de toda a graça restaurará, confirmará, fortalecerá e porá sobre firmes alicerces as famílias de boa vontade.


Texto:
Sheila Christine Freire de Matos Hussar, professora de Ensino Religioso do Colégio Piracicabano
Ilustração: aluna Rafaela dos Santos Pelligrinotti, do 3º ano do ensino fundamental 1.