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Março, mês da mulher: Marie Rennotte, uma das vozes fortes do Colégio Piracicabano

por anrsanto publicado 30/03/2020 05h00, última modificação 07/04/2020 11h20
Março, mês da mulher: Marie Rennotte, uma das vozes fortes do Colégio Piracicabano

Março está terminando, mas ainda há tempo para celebrarmos o mês das mulheres. Em homenagem a elas, queremos destacar a trajetória de uma das educadoras que passaram pelo Colégio Piracicabano e, por meio de seu trabalho, contribuiu grandemente com a escola: Jeanne Françoise Joséphine Marie Rennotte (1852-1942).

Desde o início, a história do Colégio Piracicabano contou com mulheres fortes que batalharam para o ensino ser inovador, evoluir conforme os avanços de cada época e oferecer uma base educacional consistente às alunas. Naquele período, a educação oferecida às mulheres não era tão valorizada quanto à proporcionada aos alunos homens.

Marie Rennotte iniciou o trabalho no Colégio Piracicabano em 1882, e permaneceu na escola até 1889, ano em que foi aos Estados Unidos estudar medicina. No Piracicabano, ela respondeu pela orientação educacional e pelo ensino de ciências naturais. Belga, ela embarcou no Brasil, em 1878, para ser preceptora (educadora de crianças e adolescentes) em casas de família no Rio de Janeiro.

A docente sempre pregou a educação feminina como forma de emancipar a mulher de atividades domésticas, o que se esperava delas na época. Segundo Joceli Lazier, coordenadora do Centro Cultural Martha Watts, espaço que já sediou exposição de imagens e textos em homenagem à educadora, Marie Rennotte foi responsável por diversas iniciativas, como a inauguração da Sociedade Literária Piracicabana, por meio da qual realizava saraus literários, publicações de trabalhos de alunas e premiações dos mesmos. Além disso, criou um museu de história natural no próprio Colégio.

Além de professora, Rennotte também dividia seu tempo escrevendo artigos a favor das mulheres para jornais da época. De acordo com Joceli, ela era uma mulher à frente do seu tempo. “Quando as mulheres eram julgadas frágeis demais para exercícios físicos, e em que a timidez era considerada atributo feminino, Rennotte ia contra esses princípios ao considerar as mulheres com as mesmas capacidades e expectativas que os homens”, afirma a coordenadora.

FORÇA – Dentre um dos episódios mais marcantes da passagem de Marie Rennotte pelo Colégio, Joceli destaca fatos relacionados à vinda do Imperador D. Pedro 2º a Piracicaba, em 1886, momento em que Martha Watts e Marie Rennotte estavam viajando. Ele percebe uma grande influência do protestantismo na cidade e tenta fechar o Colégio Piracicabano, com medo do enfraquecimento do catolicismo na região.

Na intimação, condena a presença de meninos com mais de 10 anos nas aulas mistas e a falta de aulas de religião do Estado. Este episódio teve repercussão internacional. Em 1887, o jornal Gazeta de Piracicaba apontou denúncias de intolerância religiosa e informou sobre a circulação de panfleto relatando a tentativa de fechamento do Colégio em Londres. Quando Rennotte retornou da viagem, publicou artigo sobre os benefícios da coeducação e inaugurou o curso de química experimental noturno, com aulas mistas no Piracicabano.

“Num contexto histórico-cultural onde a mulher era colocada como responsável pelos afazeres domésticos e, quando muito, como professora; ao destacar mulheres que romperam estas barreiras culturais, evidencia-se a força e o protagonismo da mulher, que é crescente em nossa sociedade, mas que ainda necessita de ações e políticas públicas de inclusão e reconhecimento de sua contribuição para um mundo marcado pela amorosidade”, aponta Joceli.

 

Texto: Carolina Piazentin
Fotos: acervo Colégio Piracicabano
Última atualização: 26/03/2020